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Eu e o meu irmão acompanhámos com fervorosas conversas a batalha entre Joe McElderry e os Rage Against the Machine. Ou melhor, a batalha entre Simon Cowell e os Rage Against the Machine.
Há quatro anos que o single mais vendido no dia de Natal em Inglaterra é fabricado pelo X Factor. Ou melhor, fabricado por Simon Cowell, membro do júri e da editora que fabrica as estrelas e singles e que vai receber cem milhões de euros para apresentar a próxima temporada americana do programa.
O que eu chamei de batalha nasce da revolta de um fã de Rage Against the Machine, que acima disso é um fã de música como eu. Mas de música a sério. Não de fenómenos de popularidade. A ideia surge no Facebook e era fazer com que o single de 92 Killing in the name destronasse o produto X Factor deste ano.
Apesar de ter a música há uma série de anos e desta nem ser uma das minhas bandas preferidas, fui ao iTunes comprá-la. Eu e o meu irmão estivémos assim entre o meio milhão de pessoas que ajudaram a derrubar, como disse Zack de la Rocha, este monopólio da pop tão estéril.
Não é que me importe muito com quem vende singles na semana do Natal ou em qualquer outra do ano, mas depois de ver e ouvir o tal do Joe a cantar, não quis ficar de fora.
Ontem acompanhei o nosso Ídolos com pouco interesse e enquanto trabalhava. O formato é o mesmo: fazer a imagem vender. E ainda que tenha ouvido músicas que nunca pensei ouvir num concurso de televisão, sobressaem os recados acerca de necessárias mudanças de registo. E de imagem. Vence a popularidade.
E ainda que no fundo todos tenham ganho com esta mobilização, gosto de pensar que votei no talento e não na imagem. E só para que conste, o Tom Morello até podia aparecer aqui no meu "Deus é mulher". Para quem não reparou, não tem nada a ver com beleza.
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